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12 de fevereiro de 2025

UCRÂNIA: Após três anos da invasão de Moscou

Os explorados deram suas vidas enfrentando a invasão russa, enquanto Zelensky e a oligarquia entregam a nação

Para acabar com a ocupação de Putin e impedir a colonização dos ianques e do FMI

Por uma Ucrânia soviética e independente!
Sem tropas invasoras nem saques imperialistas

 

Carta ao "Movimento Social" dos sindicatos ucranianos

Estimados camaradas do Movimento Social:

Nós enviamos nossas saudações fraternas daqui e é o nosso desejo que vocês estejam bem. Gostaríamos de enviar a vocês, nesta nota, nossos comentários sobre as posições que nos transmitiram no mês passado sobre a situação atual na Ucrânia. Em primeiro lugar queremos reiterar que a sua posição e o intercâmbio e debate fraterno com vocês cconstituram, na nossa opinião, uma contribuição muito valiosa para o proletariado internacional e é sem dúvida a busca do caminho para a vitória da nação ucraniana. Portanto, nós distribuímos sua carta a todos os nossos camaradas e a publicamos em nosso site e redes sociais.

 

Uma nação ocupada e invadida por Putin e cercada e
isolada pela traição das direções do proletariado internacional
que lhe deram as costas

Gostaríamos de dizer desde o início que não há dúvidas de que o inimigo que hoje ataca com suas bombas e sua artilharia, ocupando a nação ucraniana e massacrando seu povo, é o açougueiro Putin. Estamos nas trincheiras opostas daqueles que afirmam que Putin é um aliado dos oprimidos e daqueles que querem pintá-lo como "anti-imperialista". Por isso, não podemos deixar de concordar com vocês na necessidade de denunciar o massacre do açougueiro Putin contra o povo ucraniano.
Entendemos que o que vocês expressam é que neste momento em que se aproximam as mesas de negociação, não se deve enfraquecer a Zelensky porque assim enfraqueceria a Ucrânia. E que por isso se abstenham de fazer declarações e críticas sobre isso para não contribuir ao isolamento da Ucrânia diante da agressão.
Esta é, em resumo, a posição que vocês expressaram em sua carta enviada para nós no dia 11/01. Queremos dizer-lhes que, embora vamos levantar algumas diferenças de visão sobre a situação atual, entendemos o que vocês expressam e, claro, pedimos que se houver algum erro em nossa interpretação, nos informem.

Compartilhamos com vocês que a nação ucraniana foi submetida não apenas às bombas de Moscou, à invasão, ao desastre e à morte, mas que esse sofrimento foi redobrado por um enorme isolamento. Em nosso entendimento, neste isolamento foi decisivo o cerco que as direções reivindicadas da classe trabalhadora internacional têm imposto à classe trabalhadora ucraniana. Porque no coração mesmo da Europa, a classe trabalhadora tem assistido a este escárnio ao povo ucraniano sem que tenha sido convocada para detê-lo, para não embarcar as armas que se dirigiam a massacrar seus irmãos da Ucrânia, nem enviar equipamentos, remédios, coletas e até mesmo trabalhadores que iriam defender a nação contra o ocupante como fez durante a guerra civil espanhola nos anos 30. Pelo contrário, foram essas direções, com o stalinismo à frente, que promulgaram Putin como o aliado dos povos, que estava "enfrentando a OTAN" na Ucrânia. Com essas mentiras e enganos levaram o proletariado europeu à inação diante do massacre. Nós sofremos o mesmo em carne própria na Síria, quando eles apoiaram o chacal Assad e Putin e seu massacre contra a revolução por ordens do imperialismo, sob a infâmia de que as massas que lutavam na Síria eram "terroristas".
Assim, cada vez mais Putin está massacrando e ocupando a nação ucraniana, cada vez mais as direções do proletariado o pintam como um aliado, e cada vez mais a classe trabalhadora ucraniana, está sujeita a sua própria burguesia e à ilusão de que com a OTAN e o Maastricht imperialista pode-se derrotar Putin, salvar-se e conseguir um futuro melhor. Então são essas mesmas direções traidoras que acusam as massas ucranianas de ir aos pés do imperialismo, mas que outra opção e que outro caminho deixou às massas? O que mais se pode pedir à classe trabalhadora ucraniana e ao povo pobre que defenderam com heroísmo e deixando milhares de mortos sua nação? Esta é a tragédia da classe trabalhadora ucraniana isolada e cercada, submetida ao massacre de Moscou.

 

A guerra é o fator econômico mais importante de nossa época: o imperialismo busca redobrar a colonização da nação. Putin terá uma fatia do montante

Nós também concordamos com vocês que a Ucrânia foi devastada, sua infraestrutura, sua medicina, sua engenharia, demolida pelas bombas russas.
Diante dessa situação, longe de ver o imperialismo oferecendo qualquer ajuda ou oferecendo um futuro e uma vida digna para os ucranianos, vemos Trump exigir ficar com as terras raras ucranianas, Zelensky oferecer fabulosos negócios de reconstrução na Ucrânia para os EUA e o próprio presidente ucraniano anunciar sua disposição de terminar a guerra trocando territórios com Putin.
É que para a burguesia a guerra é um negócio fabuloso, o mais rentável desta época: enquanto está em curso, enchem-se os bolsos com o negócio das armas. Como vimos neste tempo, o trânsito de gás manteve-se, as exportações de grãos não foram interrompidas, a oligarquia do Donbass aliou-se a Moscou para continuar seus negócios, enquanto em Kiev e na Ucrânia ocidental, a burguesia continuava seus negócios sobre a superexploração da classe trabalhadora, o não pagou de salários e nem indenizações, etc. Sem falar do FMI e dos credores internacionais que com as fraudulentas dívidas externas sufocam a nação. Agora, com os anúncios do fim da guerra, os de cima esfregam as mãos pensando no negócio da reconstrução e na multiplicação do saque da nação, como Trump expressou em relação aos minerais ucranianos que rapidamente saiu Zelensky para afirmar que estavam disponíveis, são indispensáveis para as indústrias tecnológicas.

Enquanto escrevemos esta carta recebemos mais e mais notícias sobre isso, e sobre a submissão e entrega que anuncia Zelensky, pronto para se encontrar com Trump, e seu vice-presidente, manifestando toda sua vontade de aceitar os planos que estes preparam junto com Putin.

É por isso que discordamos de vocês quando argumentam que neste momento decisivo em que as mesas de negociação se aproximam, enfraquecer Zelensky é equivalente a enfraquecer a luta pelos interesses da nação ucraniana. Nós acreditamos que Zelensky, submetido ao imperialismo como ele se encontra, está pronto para entregar a luta de libertação nacional em pactos negociados à voracidade não só de Putin mas das potências imperialistas que pretendem redobrar o saque e colonização da nação. A burguesia ucraniana mostra-se disposta a entregar os minerais aos ianques e o Donbass e a Crimeia a Moscou.

Os ianques anunciam que vêm por tudo. Inclusive os EUA tentam se apossar dos oleodutos vazios do Nord Stream 2, o sistema de gasodutos pelo qual a Europa assegurava o transporte direto do gás russo para Maastricht, e que os ianques com Biden na liderança, no início da invasão russa, explodiram pelos ares. Entregando a Ucrânia ao massacre de Putin, os EUA buscaram quebrar o pacto franco-alemão com a Rússia impedindo que consolidem seu espaço vital na Europa. A interrupção do Nord Stream 2 significou cortar um fio decisivo da organização do trabalho europeu desde Portugal até Rússia. Hoje, os EUA também querem dominar esse fabuloso negócio.

Para nós, a Ucrânia foi entregue como um peão para Putin o massacrasse sem que ele ganhasse a guerra, por isso Biden e os imperialismos europeus "aliados", nunca enviaram à Ucrânia o armamento necessário para repelir o avanço de Putin mas apenas até certo ponto, mas nunca o suficiente para derrotá-lo ou expulsar o ocupante. Moscou ocupou, partiu e sangrou a nação para que depois, estrangulada e entregue pela burguesia ucraniana e com a bota de Putin pisando o Donbass, a Ucrânia caminhe para ficar como uma colônia tutelada.
Após o feroz massacre de Putin, os EUA estão impondo a rendição da nação e discutem as condições do fim da guerra, que inclui a divisão dos negócios para o imperialismo, para Putin e quais despojos restarão também para a oligarquia ucraniana. A burguesia ucraniana não é uma classe nacional. Como toda burguesia de um país semicolonial, é sócia menor do imperialismo e só assim entrará na divisão da Ucrânia devastada.

 

A classe trabalhadora é a única que ainda pode impedir o futuro escuro que preparam para a nação ucraniana

Por isso, para nós, colocar em pé os comitês de operários e soldados era o único caminho para negociar o fim da guerra mesmo em melhores condições para a Ucrânia, se as condições não permitissem a vitória, questão que na guerra pode acontecer. Nós entendemos que este era o melhor caminho para denunciar Moscou e chamar a classe trabalhadora europeia e norte-americana para impedir o saque que os piratas imperialistas querem impor sobre a nação e o pilhagem de Moscou.
¡Estamos a tempo! Um apelo aos trabalhadores dos EUA e da Europa para impedir o saque imperialista é criar as melhores condições para lutar contra Moscou. A guerra é parteira de revoluções, desde que o proletariado encontre o caminho para lutar por seus interesses atacando os capitalistas, defendendo os povos oprimidos, armando-se e unindo-se à classe trabalhadora internacional.

Por isso nós acreditamos que a luta de libertação nacional ou é dirigida pela classe trabalhadora com o programa de reformas sociais, com a nacionalização de todos os recursos naturais e riquezas que todos querem disputar, postos ao serviço da classe trabalhadora e do povo pobre para derrotar o invasor e ter uma vida digna, ou não há vitória possível para a independência da Ucrânia.
A alternativa de ferro para a Ucrânia é hoje mais do que nunca que a classe trabalhadora com o programa das reformas sociais tome o destino da nação em suas mãos, ou a Ucrânia será transformada em uma colônia tutelada. Para nossa compreensão, não há caminho intermediário.

Estas são nossas opiniões e pontos de vista. Agora, vocês estão no campo de batalha. Suas opiniões nos fizeram pensar, avançar e continuar contribuindo para os duríssimos acontecimentos que sofrem os trabalhadores na Ucrânia. Eles não merecem o inferno que lhes impõem: não merecem ser arrancados de seu salário, da sua vida, nem martirizados com ritmos infernais de produção, como faz o açougueiro de Moscou nas zonas que ocupa e no próprio interior da Rússia.

Gostaríamos que nos mantivessem informados de todos os acontecimentos e valorizamos todas as contribuições que nos fazem chegar.

Uma saudação fraternal revolucionária,

Giovanni Alberotanza, de Avanzata Proletaria -Itália

Eliza Funes e Nadia Briante, da Liga Operária
Internacionalista - Quarta Internacional da Argentina
e
co-autoras do livro Ucrânia em Guerra

 

Veja também:

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