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SECCIÓN: "PASO A LA MUJER TRABAJADORA"
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23/09/17

Ante o ataque à ocupação Povo Sem Medo do MTST em São Bernardo do Campo e à luta dos explorados por moradia e vida digna

Imágenes de la ocupación Pueblo Sin Miedo

No sábad0, 16 de setembro, Aldinei Serapião da Silva, 40 anos, fora atingido por um tiro disparado de um prédio vizinho ao terreno de 70 mil m² ocupado por mais de 6.000 famílias desde o dia 2 de setembro.
O ataque ocorreu na tarde de sábado, após realização de um ato do Movimento Contra Ocupação (MCO) que concentra moradores e comerciantes vizinhos ao terreno, que discordam da ocupação levando placas com os dizeres “teto sim, invasão não”, “fora invasores” e “não se exige direitos cometendo crimes” e assim criminalizando o movimento e legitimando ataques e ações fascistas como a ocorrida.
O terreno está localizado em frente a fábrica da Scania e há 40 anos não tem outra função que servir a especulação imobiliária na região. A cidade de São Bernardo tem o maior déficit de moradia no ABC paulista com mais de 90 mil famílias sem teto, em toda a região do ABC são mais de 230.000 famílias sem teto numa região de 2,7 milhões de habitantes.
O ataque ocorrido no sábado 16, é parte de uma enorme perseguição que o movimento pela moradia vem sofrendo.

É frequente a perseguição à ativistas e lideranças do movimento por moradia. Recentemente em entrevista, companheiras do Movimento Luta Popular (MLP) de Manaus revelaram essa terrível situação (VER ENTREVISTA), o próprio Guilherme Boulos dirigente do MTST foi preso em reintegração de posse em São Mateus, zona leste de São Paulo em janeiro desse ano por supostamente “incitar a violência” quando era a polícia que levava a cabo uma truculenta reintegração de posse de um terreno com mais de 700 famílias. O caso de companheiros do Movimento Resistencia Popular (MRP) de Brasília que ficaram quase um ano presos sem julgamento e que hoje ainda respondem a processo por supostamente, tentarem matar 7 policias ao tentar derrubar um helicóptero militar com pedras durante ação policial para reintegração de posse do Hotel Torre Palace é outra clara demonstração da criminalização do movimento por moradia e dos ataques fascistas que este vem sofrendo.
Já não podemos mais lutar por moradia, trabalho, salário e vida digna sem colocar de pé nossos organismos de autodefesa e centralizar as filas dos explorados. Em meio a ofensiva de Temer e as transnacionais imperialistas será cada vez mais comum esses ataques à luta dos trabalhadores e explorados.
Não podemos permitir que novamente um trabalhador seja atacado enquanto luta por moradia e vida digna!
Em meio à crise econômica Temer e as transnacionais imperialistas lançaram um ataque brutal sobre os trabalhadores e explorados para terminar de jogar a crise capitalista sobre os explorados. Ataques como o que sofremos na Ocupação Povo Sem Medo são expressão dessa ofensiva da burguesia sobre os explorados, e em última instancia assim se imporá definitivamente todos os ataques que Temer e as transnacionais imperialistas lançaram como a reforma trabalhista, a terceirização, a reforma do ensino médio, o brutal ajuste fiscal com congelamento dos gastos da saúde e educação por 20 anos, e uma verdadeira entrega da nação com um enorme plano de privatizações e concessões das riquezas naturais.
Para poder enfrentar esta enorme ofensiva é preciso unificar as filas dos explorados! No dia 14 de setembro se unificaram em uma jornada de luta os metalúrgicos de todo o pais junto de funcionários públicos federais e petroleiros, é preciso avançar nesse caminho e unificar as lutas pelas bases de todos os explorados do campo e da cidade!
Para poder lutar por trabalho, salario, moradia e vida digna contra essa enorme ofensiva da patronal contra nossas conquistas e direitos, é preciso tirar de nossas organizações de luta os dirigentes colaboracionistas que levam nossa luta aos pés da burguesia e suas instituições!
É preciso colocar de pé nossos comitês de autodefesa para enfrentar a repressão e os ataques do Estado!
Basta de repressão, perseguição, cárcere e morte de trabalhadores e camponeses pobres!
Coloquemos de pé comitês de base e ação para lutar pela liberdade de os operários, jovens estudantes, ativistas e camponeses presos e processados por lutar por vida digna!
A rebelião dos escravos não é delito é justiça!
Liberdade irrestrita a Rafael Braga!
Desprocessamento dos companheiros do MRP e de todos os lutadores por moradia, terra e trabalho!
Liberdade a todos os presos políticos do mundo!
Liberdade aos mais de 7000 palestinos presos nos cárceres sionistas por lutar contra a ocupação do Estado sionista fascista de Israel!
Liberdade aos jovens anarquistas gregos presos!
Absolvição dos petroleiros de Las Heras (Argentina)!
Aparecimento com vida de Santiago Maldonado (Argentina), os 43 estudantes normalistas de Ayotzinapa (México)!
Justiça aos 34 mineiros de Marikana!

Sobre o problema da moradia no Brasil


Segundo dados oficiais do governo o déficit habitacional no Brasil em 2015 foi de 6.186.503 milhões de domicílios, 9,3% do total de domicílios do país.
Entre as regiões com o maior déficit habitacional absoluto destacam-se o Sudeste e o Nordeste com, respectivamente, 2,430 e 1,924 milhões de moradias em 2015. Entre as unidades da federação com maior déficit absoluto em 2015 destacam-se: São Paulo (1,306 milhão), Minas Gerais (552 mil), Bahia (451 mil), Rio de Janeiro (468 mil) e Maranhão (388 mil).
Na composição do déficit habitacional brasileiro, em 2015, o ônus excessivo com aluguel (aluguel superior à 30% da renda familiar) é o item de maior peso, respondendo por 3,189 milhões de unidades ou 51,5% do déficit, seguido pela coabitação com 1,757 milhão de domicílios ou 28,4%, habitação precária com 927 mil unidades ou 14,9%, e adensamento excessivo (mais de 3 pessoas por dormitório) em domicílios alugados com 314 mil domicílios ou 5,1% do total do déficit habitacional.
Considerando que a média nacional de pessoas por domicilio em 2014 foi de 3,1 pessoas, o déficit habitacional no Brasil atinge cerca 19 milhões de pessoas.
É digno de nota que enquanto em 2000 o “ônus excessivo com aluguel” atingia cerca de 1,201 milhão de domicílios, à época 18,2% do déficit habitacional, em 2015 o custo excessivo do aluguel atinja 3,189 milhões de domicílios e seja o responsável por mais da metade do índice atual com 51,5%. Um crescimento de mais de 256,5 %, fruto direto da enorme especulação imobiliária dos últimos anos.
Porém, esse número terrível é ainda pior. É que nesse cálculo não são consideradas moradias inadequadas, sem infraestrutura básica como coleta de esgoto e colheita de lixo, por exemplo.
Segundo a 6ª edição dos Indicadores de Desenvolvimento Sustentável (IDS) Brasil 2015, 38,3% dos domicílios brasileiros são inadequados para moradia por não terem até dois moradores por dormitório, existência de rede geral de esgoto ou fossa séptica, coleta de lixo direta ou indireta e rede geral de água.
As regiões com a maior proporção de moradias inadequadas são Norte (71,8%), Nordeste (54%) e Centro-Oeste (50,3%). Enquanto isso, os menores porcentuais são verificados no Sul (30,6%) e no Sudeste (23,9%).
Se somadas as moradias inadequadas o déficit habitacional salta para cerca de 24 milhões de domicílios e atinge cerca de 70 milhões de pessoas ou 35,8% da população.
Para que os trabalhadores tenham casa e vida digna é preciso atacar a propriedade dos capitalistas latifundiários e especuladores
Depois de fazem negócios bilionários com as megaobras do PAC, Copa do Mundo, Olimpíadas, uma enorme especulação financeira, fraudes e corrupção as grandes empreiteiras, latifundiários e todo tipo de especuladores concentraram em suas mãos mais de 7,2 milhões imóveis vazios, 79% em área urbanas e 21% em áreas rurais. Desse total, 6,249 milhões estavam em condições de serem ocupados e 981 mil em construção ou reforma. Em 2014 os domicílios vagos somavam 7,24 milhões de unidades, 6,35 milhões em condições de serem ocupados e 886 mil em construção ou reforma.

Aí está a moradia de milhões de trabalhadores e explorados do campo e da cidade.
É preciso atacar a propriedade dos capitalistas para que os explorados não paguem pela crise!
É preciso expropriar os imóveis e propriedades dos latifundiários e especuladores do campo e da cidade para dar já moradia digna e terra aos trabalhadores e explorados do campo e da cidade!
Para conquistar infraestrutura digna nos bairros operários é preciso expropriar todas as empreiteiras envolvidas com corrupção, fraude e roubo do dinheiro público saído do salário, trabalho e suor do conjunto dos trabalhadores! Assim poderemos fazer um plano de obras públicas para garantir água, esgoto, e moradia digna!